Menopausa e Medicina Tradicional Chinesa: como aliviar sintomas físicos e emocionais

A menopausa é um processo natural de transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva, ocorrendo, em geral, entre 45 e 55 anos de idade. Segundo o Ministério da Saúde, ela é confirmada após 12 meses de ausência completa de menstruação, muitas vezes acompanhada de ondas de calor, alterações de sono, libido e humor. 

Quando olhamos para menopausa e Medicina Tradicional Chinesa, porém, enxergamos uma camada a mais. Para a MTC, essa fase está ligada principalmente à “deficiência do Qi do rim” e à diminuição gradual da essência dos rins (Yin do rim), o que explica boa parte das mudanças físicas e emocionais sentidas nesse período.

O que são menopausa e climatério na visão ocidental

A medicina moderna define a menopausa como o estado fisiológico em que a mulher fica 12 meses sem menstruar, marcando o fim da função ovariana. Já o climatério é o período de transição, que começa com a irregularidade menstrual e termina um ano após a última menstruação. 

Durante o climatério, os níveis de estrogênio oscilam bastante. Por isso, os sintomas podem ir e voltar, por exemplo:

  • ondas de calor e suores noturnos;
  • alterações de humor e irritabilidade;
  • distúrbios de sono e fadiga;
  • queda da libido e secura vaginal.

Em resumo, o climatério é a fase preparatória, enquanto a menopausa é o marco da cessação completa da função reprodutiva. Ainda assim, na prática, os sintomas físicos e emocionais podem se estender por vários anos.

Se você quiser entender melhor o impacto emocional dessa fase, vale também ler o post: Menopausa e saúde mental: sintomas emocionais, transtornos mais comuns e quando pedir ajuda.

Menopausa e Medicina Tradicional Chinesa: a relação entre rim, fígado e sangue

Na Medicina Tradicional Chinesa, os rins são considerados a base da constituição inata, ligados à reprodução, ao crescimento e ao envelhecimento. Dessa forma, a MTC enxerga a menopausa como a manifestação de “deficiência do Qi do rim” e da essência (Yin do rim).

Rim: Yin e Yang na menopausa

Quando o Yin do rim está deficiente, os fluidos se esgotam e surgem sintomas de “calor vazio”, como:

  • ondas de calor e suores noturnos;
  • inquietação e insônia;
  • sensação de calor no peito, nas palmas e nas plantas dos pés.

Por outro lado, quando há deficiência de Yang do rim, aparecem:

  • aversão ao frio e membros frios;
  • fadiga intensa;
  • dores na região lombar e nos joelhos.

Fígado e sangue: fluxo de Qi e emoções

Na MTC, o fígado controla o fluxo livre do Qi e regula os estados emocionais, além de armazenar o sangue. Durante a transição da menopausa, é comum ocorrer estagnação do Qi do fígado, o que favorece:

  • irritabilidade e alterações de humor;
  • sensação de “aperto” no peito ou na garganta;
  • maior vulnerabilidade à ansiedade e à tristeza.

Ao mesmo tempo, a deficiência de sangue do fígado pode causar tonturas, insônia e perda de memória. O sangue é armazenado no coração e no fígado, nutrindo corpo e espírito. Assim, quando o sangue está deficiente, surgem palidez, palpitações, insônia e pele seca.

Em resumo, do ponto de vista da menopausa e Medicina Tradicional Chinesa, os sintomas refletem uma disfunção combinada de Rim, Fígado e Baço, exigindo uma regulação holística, e não apenas o controle de um sintoma isolado.

Emoções, Shen e saúde mental na transição

A MTC enfatiza a unidade entre corpo e mente. Portanto, a menopausa não envolve apenas hormônios, mas também o que a pessoa sente, pensa e vive na prática.

A deficiência de Yin do rim pode gerar “calor no coração”, deixando a pessoa mais propensa à ansiedade, irritabilidade e até depressão. Além disso, a estagnação do Qi do fígado intensifica as flutuações emocionais, criando um ciclo em que o humor afeta os sintomas e vice-versa.

Na MTC, o termo Shen representa o espírito e a consciência. Assim, um dos objetivos centrais nessa fase é “acalmar o Shen, tranquilizar o fígado e nutrir o coração e o baço”.

Do ponto de vista da medicina ocidental, o climatério é descrito como uma “janela de vulnerabilidade” para ansiedade e depressão, e não como causa única desses transtornos. 

Por isso, cuidar da saúde mental durante a menopausa é tão importante quanto tratar ondas de calor ou alterações de ciclo.

Como o estresse pode intensificar ondas de calor e insônia

O estresse crônico e as pressões da vida podem agravar significativamente os sintomas da menopausa. Estudos mostram que mulheres com níveis mais altos de ansiedade têm maior risco de ondas de calor, e que essas ondas, por sua vez, aumentam ainda mais a ansiedade, gerando um ciclo difícil de quebrar. 

Além disso, o estresse:

  • piora a qualidade do sono;
  • aumenta a frequência e a intensidade dos fogachos;
  • impacta negativamente o humor e a energia.

Sociedades como a EMAS (European Menopause and Andropause Society) e o National Institute on Aging reforçam que problemas de sono são muito comuns na menopausa, sendo frequentemente exacerbados por ondas de calor e alterações emocionais.

Clinicamente, observa-se muitas vezes um ciclo vicioso: o estresse e a ansiedade provocam insônia e ondas de calor, enquanto a falta de sono e os fogachos alimentam ainda mais a ansiedade. Portanto, reduzir o estresse e regular as emoções é crucial para aliviar sintomas como ondas de calor e insônia.

Para entender melhor essa relação entre clima interno, emoções e energia, leia também: As estações do ano e as emoções: um olhar da Medicina Tradicional Chinesa.

Sintomas da menopausa na visão da Medicina Tradicional Chinesa

Como dissemos, para a medicina ocidental, os sintomas mais comuns da menopausa incluem, por exemplo:

  • ondas de calor e suores noturnos;
  • insônia e sonhos frequentes;
  • alterações de humor (irritabilidade, tristeza, ansiedade);
  • perda de memória, tonturas e zumbido;
  • secura vaginal e desconforto nas relações;
  • fadiga, dores lombares e sensação de calor ou frio extremos. 

Para saber mais sobre como é a menopausa para a medicina ocidental, confirra nosso episódio do BurnUp Cast.

Por sua vez, a MTC associa essas manifestações a diferentes síndromes energéticas:

  • Deficiência de Yin dos rins com excesso de fogo: ondas de calor, inquietação, sonhos frequentes, calor nas palmas e solas.
  • Deficiência do coração e dos rins / deficiência de sangue: insônia, sonhos vívidos, memória prejudicada, palpitações.
  • Deficiência de Yang do rim: membros frios, falta de vigor, dores lombares.

Compreender essas síndromes ajuda a personalizar o cuidado, embora o princípio geral continue sendo fortalecer a vitalidade, repor deficiências e promover o fluxo livre de Qi e sangue para restaurar o equilíbrio entre Yin e Yang.

Alimentação na Medicina Tradicional Chinesa para aliviar sintomas da menopausa

Na relação entre menopausa e Medicina Tradicional Chinesa, a alimentação é um pilar fundamental.

Harmonizar os cinco sabores, com foco no frescor

A MTC recomenda refeições com mistura harmoniosa dos cinco sabores (azedo, doce, amargo, picante e salgado(. Entre eles, os alimentos de sabor amargo (como melão amargo e chá verde) têm efeito refrescante e podem aliviar sintomas de calor.

Além disso, é interessante consumir mais frutas e vegetais refrescantes, como:

  • pepino, pêra, trigo sarraceno;
  • camomila, feijão mungo e outros alimentos de natureza mais “fria”.

Ao mesmo tempo, alimentos como tâmaras vermelhas, inhame chinês e bulbos de lírio ajudam a nutrir o Yin e reabastecer o sangue, apoiando a função dos rins nessa fase.

Para aprofundar esses princípios de forma prática, você pode ler o texto: Dieta na Medicina Tradicional Chinesa: princípios e benefícios.

Rotina e estilo de vida inspirados na MTC para passar pela menopausa com mais equilíbrio

Além da alimentação, a menopausa e Medicina Tradicional Chinesa se encontram também em mudanças de rotina e estilo de vida que favorecem o equilíbrio energético.

Exercício regular e práticas mente-corpo

A MTC valoriza exercícios suaves e regulares, como:

Essas práticas ajudam a desbloquear os meridianos, acalmar o Qi do fígado e melhorar a circulação do Qi e do sangue. Estudos sobre terapias mente-corpo sugerem que yoga, tai chi e meditação podem aliviar sintomas vasomotores (como ondas de calor), melhorar o sono e reduzir sintomas de humor.

Com o BurnUp Move, nosso programa gratuito de exercícios físicos, você pode começar a praticar Yoga onde quiser.

Regulação emocional e Shen mais tranquilo

Manter uma perspectiva mais gentil consigo mesma e aprender técnicas de relaxamento também fazem parte do cuidado. Práticas como respiração profunda, meditação e atenção plena ajudam a aliviar o estresse e a estabilizar o Shen.

Além disso, conversar com amigos e familiares, participar de atividades de lazer e, quando necessário, buscar psicoterapia são formas importantes de reduzir o que a MTC chama de “estagnação do fígado”, diminuindo sintomas como tonturas, irritabilidade e sensação de aperto no peito.

Rotina regular e cuidado com o sono

Criar o hábito de ir para a cama cedo e acordar em horários semelhantes favorece o descanso dos rins e do coração. Mergulhar os pés em água morna, beber um chá de ervas calmantes e evitar estímulos intensos à noite podem melhorar a qualidade do sono.

Dados de sociedades como EMAS e NIA indicam que cerca de 40–50% das mulheres nessa fase relatam distúrbios de sono, como insônia e despertares frequentes.

Para ver como a MTC entende o sono de forma mais ampla, vale ler: A Medicina Tradicional Chinesa e o sono.

Integração entre Medicina Tradicional Chinesa e medicina moderna na menopausa

A essência da MTC está na abordagem personalizada e consistente. Ao mesmo tempo, a medicina moderna oferece recursos fundamentais, como terapia hormonal, tratamento de comorbidades e suporte em saúde mental.

Por isso, a integração entre menopausa e Medicina Tradicional Chinesa e as abordagens ocidentais podem ser muito poderosas. Em muitos casos, a reposição hormonal trata sintomas agudos mais intensos, enquanto a MTC ajuda a regular o equilíbrio geral, consolidando os resultados a longo prazo.

Em resumo, cuidar dessa fase significa olhar para o corpo, para as emoções e para a história de vida ao mesmo tempo. Assim, cada mulher pode atravessar a menopausa com mais consciência, menos culpa e um pouco mais de suavidade contando tanto com a ciência moderna quanto com a sabedoria milenar da Medicina Tradicional Chinesa.