Sem dúvidas, a volta às aulas costuma ser vista como um momento de retomada da rotina, reencontros e novos aprendizados. No entanto, para muitas crianças e adolescentes, esse período também pode ser marcado por ansiedade, estresse, insegurança e sobrecarga emocional. Assim, quando esses fatores não são reconhecidos e manejados adequadamente, o retorno escolar pode se tornar um gatilho importante para o esgotamento da saúde mental.
Nos últimos anos, o aumento de queixas emocionais em crianças e adolescentes chamou a atenção de pais, educadores e profissionais da saúde mental. Dificuldades de adaptação, crises de ansiedade, irritabilidade, queda no rendimento escolar e até sintomas físicos, como dores de cabeça e de barriga, tornaram-se cada vez mais frequentes no contexto escolar. Por isso, pensar em estratégias para proteger a saúde mental no período de volta às aulas é fundamental.
Entendendo o impacto da volta às aulas na saúde mental de crianças e adolescentes
Em primeiro lugar, a transição entre períodos de descanso e rotina estruturada exige adaptações emocionais e cognitivas. Afinal, durante as férias, há maior flexibilidade de horários, menos exigências formais e mais tempo livre. O retorno às aulas, por outro lado, envolve regras, prazos, avaliações, expectativas sociais e desempenho acadêmico.
Para crianças e adolescentes, esse processo pode gerar, por exemplo:

- Ansiedade antecipatória
- Medo do fracasso ou da avaliação
- Insegurança social
- Pressão por resultados
- Cansaço físico e mental
Adolescentes, especialmente, vivenciam essa fase somada a mudanças hormonais, construção da identidade, comparações sociais e uso intenso das redes sociais, o que potencializa o risco de sofrimento psíquico.
Nesse sentido, quando a exigência supera a capacidade de adaptação, a saúde mental pode entrar em desequilíbrio.
Sinais de alerta de esgotamento emocional
Por sua vez, antes de falarmos sobre prevenção, é importante reconhecermos os sinais de que a criança ou o adolescente pode estar sobrecarregado emocionalmente. Alguns sinais comuns incluem, por exemplo:

- Irritabilidade excessiva ou mudanças bruscas de humor
- Choro frequente ou isolamento social
- Queixas físicas sem causa médica aparente
- Dificuldade para dormir ou alterações no apetite
- Queda no rendimento escolar
- Falta de motivação ou apatia
- Medo intenso de ir à escola
Dessa forma, esses sinais não devem ser minimizados, interpretados como “preguiça” ou “frescura”. Eles indicam que algo precisa ser ajustado.
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O papel da família na prevenção do esgotamento mental
Sem dúvidas, a família exerce um papel central na forma como a criança e o adolescente lidam com as demandas escolares. Isso é: algumas atitudes familiares podem proteger a saúde mental, enquanto outras, mesmo sem intenção, podem aumentar a pressão emocional.
A saber:
1. Ajustar expectativas
Expectativas irreais ou excessivamente altas são uma das principais fontes de estresse. É importante compreender que cada criança possui seu próprio ritmo de aprendizagem, habilidades e limites.
Dessa forma, valorizar o esforço, e não apenas os resultados, contribui para o desenvolvimento de uma relação mais saudável com os estudos.
2. Evitar comparações
Comparações com irmãos, colegas ou primos podem afetar diretamente a autoestima e a motivação. Cada criança é única e se desenvolve de maneira diferente.

3. Criar uma rotina equilibrada
Uma rotina previsível traz segurança emocional, mas ela precisa ser equilibrada. Além dos horários de estudo, é fundamental garantir tempo para descanso, lazer e sono adequado.
Rotinas excessivamente rígidas ou cheias de compromissos podem gerar exaustão.
4. Estimular o diálogo
Manter um espaço aberto para conversas sobre sentimentos, medos e dificuldades ajuda a criança ou o adolescente a se sentir acolhido e compreendido.
Perguntas simples como “Como foi seu dia?” ou “O que foi mais difícil hoje?” podem fazer grande diferença.
O papel da escola no cuidado com a saúde mental
A escola também é um ambiente determinante para a saúde emocional. Instituições que valorizam apenas o desempenho acadêmico, sem considerar o bem-estar emocional, tendem a contribuir para o adoecimento mental.
Algumas práticas escolares importantes incluem, por exemplo:

- Comunicação clara com as famílias;
- Acolhimento no retorno às aulas;
- Atenção às dificuldades emocionais dos alunos;
- Flexibilidade em períodos de adaptação;
- Promoção de um ambiente seguro e respeitoso.
Nesse sentido, a parceria entre escola e família é essencial para identificar precocemente sinais de sofrimento e agir de forma preventiva.
A importância do descanso e do lazer
Não obstante, um dos erros mais comuns na volta às aulas é preencher toda a agenda da criança ou do adolescente com compromissos acadêmicos e atividades extracurriculares.
Embora cursos, esportes e aulas complementares sejam positivos, o excesso pode gerar sobrecarga física e emocional.
É importante notar que o lazer não é perda de tempo. Ele é essencial para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Brincar, descansar, se entediar e ter tempo livre são necessidades básicas para a saúde mental.
Ansiedade escolar: quando a atenção deve ser redobrada

Sem dúvidas, a ansiedade infantojuvenil relacionada à escola é cada vez mais frequente. Ela pode se manifestar de diferentes formas, como:
- Medo intenso de provas;
- Evitação da escola;
- Sintomas físicos antes de sair de casa;
- Crises de choro ou pânico.
Nesses casos, é importante não forçar nem ignorar o sofrimento. Sem dúvidas, o ideal é buscar apoio profissional para compreender as causas da ansiedade e desenvolver estratégias de enfrentamento adequadas.
Uso da tecnologia e saúde mental

O período de volta às aulas também costuma vir acompanhado de maior uso de telas para estudos. No entanto, o excesso de tecnologia, aliado às redes sociais, pode aumentar a comparação social, a pressão por desempenho e a dificuldade de concentração.
Estabelecer limites saudáveis para o uso de telas, incentivar atividades offline e promover momentos de desconexão são medidas importantes para o equilíbrio emocional.
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Quando procurar ajuda profissional

Nem todo sofrimento emocional faz parte do “normal” da adaptação escolar. Quando os sintomas são intensos, persistentes ou interferem significativamente na rotina, é fundamental procurar ajuda especializada.
Psicólogos, neuropsicólogos e outros profissionais da saúde mental podem auxiliar na avaliação, orientação e acompanhamento da criança ou adolescente, além de apoiar a família e a escola nesse processo.
Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de cuidado e responsabilidade.
Promover saúde mental é um compromisso coletivo
Em conclusão, evitar o esgotamento da saúde mental na volta às aulas exige um olhar atento e integrado entre família, escola e profissionais da saúde. Afinal, não se trata de eliminar desafios, mas de oferecer suporte emocional para que crianças e adolescentes possam enfrentá-los de maneira saudável.
Dessa forma, um retorno escolar equilibrado, acolhedor e respeitoso contribui não apenas para o aprendizado, mas também para a formação de indivíduos emocionalmente mais seguros, resilientes e confiantes.
Assim sendo, cuidar da saúde mental desde a infância é investir em adultos mais saudáveis no futuro.
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Canais disponíveis pelo Ministério da Saúde ou Governo Federal:
- Centro de Valorização da Vida (CVV) – 188 (ligação gratuita) ou acesse o chat no cvv.org.br.
- CAPS e Unidades Básicas de Saúde mais perto da sua casa (Saúde da Família, Postos e Centros de Saúde);
- Se sentir que é urgente, procure a UPA 24H mais perto da sua casa ou chame o SAMU ligando 192 (ligação gratuita).



